Texto narrativo: o que é e como cai no Enem?

texto narrativo

Se você está se preparando para o Enem e os vestibulares, certamente deve reservar um tempo para se dedicar ao estudo dos tipos textuais, entre eles o texto narrativo. O diferencial da narrativa em relação a outros textos é que ela conta uma história, ou seja, apresenta personagens que executam ações em determinado tempo e espaço.

Quer saber o que é texto narrativo, como é sua estrutura, quais são os tipos de narrador e como isso pode ser cobrado no Enem e em outras provas? Ao fim deste post, você estará craque no assunto!

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

O conceito de texto narrativo

Entre as matérias do Enem que você precisa estudar, estão os tipos textuais. Na redação, por exemplo, é cobrado o desenvolvimento de um texto que une os tipos argumentativo e dissertativo.

Já quando falamos dos gêneros narrativos, estamos nos referindo a romance, crônica narrativa, conto, fábula etc. Isso não será cobrado na produção de texto, mas pode vir em forma de questões da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, ok?

O que é, afinal, um texto narrativo? Quando você assiste a filmes, consegue perceber que há um enredo, uma sequência de ações que os personagens executam. Assim ocorre com o romance, independentemente do gênero — histórico, policial, de aventura e por aí vai.

Poemas também podem contar uma história, como é o caso do clássico Os Lusíadas, que Camões escreveu em 1.102 estrofes de oito versos cada. No século XVI, o maior poeta português finalizou essa obra que conta a história da viagem de Vasco da Gama às Índias.

Quer ver mais um exemplo de onde você pode encontrar narrativas? Textos publicitários bem elaborados costumam contar uma história, como as campanhas de Natal da Coca-Cola. São inesquecíveis, concorda?

Então, é preciso ficar atento à definição de narrativa, pois ela pode estar presente em diversos gêneros textuais.

Principais estruturas do texto narrativo

O texto narrativo literário, que é o que nos interessa mais de perto, apresenta uma estrutura clássica: início, meio e fim. Geralmente, há uma contextualização, com o desenvolvimento de ações que se encaminham a um problema, depois o ápice e o desfecho.

O problema a que nos referimos é chamado de conflito na estrutura narrativa. É isso que causa a tensão e cria expectativa no leitor para que ele prossiga até o fim do texto.

O conflito chega ao clímaxmomento culminante da história — quando atinge o ponto máximo de tensão, e aí se encaminha para a resolução (ou desenlace) do problema.

Tipos de narrador

O foco narrativo define como o texto vai ser estruturado e quem vai conduzir a história. É o narrador quem estabelece o ponto de vista a partir do qual a narrativa será contada. Veja a seguir.

Primeira pessoa

Nessa perspectiva, o narrador conta fatos que ocorreram com ele ou que ele presenciou. Na maioria das vezes, esse é um narrador-protagonista.

Suportei as mil injúrias de Fortunato o melhor que pude, mas, quando ele ousou me insultar, jurei vingança. (Edgar Allan Poe, O barril de Amonttilado)

Terceira pessoa

Esse tipo de narrador se caracteriza por mostrar os acontecimentos do ponto de vista de outra pessoa. Portanto, não é o “eu” que narra a história.

No dia seguinte ela foi à casa da amiga e lhe expôs a sua situação. Mme. Forestier foi ao seu armário de espelho, tomou um grande cofre, trouxe-o, abriu-o e disse a Mme. Loisel:

— Escolhe, minha querida. (Guy de Maupassant, O colar de diamantes)

Podemos distinguir a narração em terceira pessoa em:

  • narrador-observador — tudo é contado como se o leitor assistisse a uma cena de longe. Não se sabe, ao certo, como se sentem os personagens nem a opinião do narrador sobre os fatos;
  • narrador-onisciente — mesmo não sendo uma personagem, ele sabe o que pensam e o que sentem as outras e sabe de todos os fatos. Muitas vezes, emite opiniões e interage com os leitores.

A agitação de Inácio ia crescendo, sem que ele pudesse acalmar-se nem entender-se. Não estava bem em parte nenhuma. Acordava de noite, pensando em D. Severina. […] Ao entrar no corredor da casa, voltando do trabalho, sentia sempre algum alvoroço, às vezes grande, quando dava com ela no topo da escada […]. (Machado de Assis, Uns braços)

Veja como, nesse exemplo, acompanhamos a aflição de Inácio: é como se o narrador conhecesse o íntimo da personagem. Já no trecho a seguir, vemos a cena de fora, como expectadores:

Ana Siergueievna estava tocante, emanava dela a pureza de uma mulher correta, ingênua, que vivera pouco. A vela solitária, que ardia sobre a mesa, mal lhe iluminava o rosto, mas se via que estava sofrendo. (Anton Palovitch Tchekhov)

Elementos da narrativa

Os elementos da narrativa serão mais ou menos desenvolvidos de acordo com o gênero. Em um conto, que é uma narrativa curta, os elementos costumam ser reduzidos, com poucos detalhes. Já em um romance, há oportunidade de detalhar características de espaço, de personagens e até de ações, com uso de adjetivos e advérbios à vontade.

Espaço e tempo

São elementos que organizam a narrativa. Podemos elencar o espaço físico (onde se ambienta a ação) e o espaço psicológico (as experiências dos personagens, seus sonhos e suas lembranças).

Já o tempo pode ser caracterizado como:

  • cronológico, quando se narram as ações na sequência em que ocorrem;
  • psicológico, que traz uma memória do passado para desencadear a narrativa;
  • histórico, que contextualiza o período da História em que os fatos acontecem.

Enredo

Essa é a narração em si, que equivale a uma sinopse de filme: por exemplo, E.T., o extraterrestre conta a história de um ser de outro planeta encontrado pelo garoto Elliot e seus irmãos, que tentam ajudá-lo a voltar para casa.

O enredo de um livro ou de um conto também segue esse perfil, como a linha de desenvolvimento da história.

Personagens

São os seres que vivenciam os acontecimentos narrados. Dividem-se em principais e secundários, de acordo com sua relevância na história.

A forma como o texto narrativo é cobrado no Enem

Você pode até buscar provas anteriores para comprovar, mas a verdade é que a redação do Enem não cobra narração, e o Português do Enem valoriza mais a interpretação e o raciocínio do que a cobrança conteudista. Dessa forma, a narrativa aparece no exame nos textos-base das questões.

Texto narrativo no Enem

Observe como um trecho de texto narrativo é usado como pano de fundo para discutir uma importante questão social no Enem 2019 (2ª aplicação).

As cores

Maria Alice abandonou o livro onde seus dedos longos liam uma história de amor. Em seu pequeno mundo de volumes, de cheiros, de sons, todas aquelas palavras eram a perpétua renovação dos mistérios em cujo seio sua imaginação se perdia. […] Como seria cor e o que seria? […]. Era, com certeza, a nota marcante de todas as coisas para aqueles cujos olhos viam, aqueles olhos que tantas vezes palpara com inveja calada e que se fechavam, quando os tocava, sensíveis como pássaros assustados, palpitantes de vida, sob seus dedos trêmulos, que diziam ser claros. Que seria o claro, afinal? Algo que aprendera, de há muito, ser igual ao branco. […]

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E agora Maria Alice voltava outra vez ao Instituto. E ao grande amigo que lá conhecera. […]. Lembrava-se da ternura daquela voz, da beleza daquela voz. De como se adivinhavam entre dezenas de outros e suas mãos se encontravam. De como as palavras de amor tinham irrompido e suas bocas se encontrado… De como um dia seus pais haviam surgido inesperadamente no Instituto e a haviam levado à sala do diretor e se haviam queixado da falta de vigilância e moralidade no estabelecimento. E de como, no momento em que a retiravam e quando ela disse que pretendia se despedir de um amigo pelo qual tinha grande afeição e com quem se queria casar, o pai exclamara, horrorizado:

— Você não tem juízo, criatura? Casar-se com um mulato? Nunca!

Mulato era cor. Estava longe aquele dia. Estava longe o Instituto, ao qual não saberia voltar, do qual nunca mais tivera notícia, e do qual somente restara o privilégio de caminhar sozinha pelo reino dos livros, tão parecido com a vida dos outros, tão cheio de cores…

LESSA, O. Seleta de Orígenes Lessa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.

No texto, a condição da personagem e os desdobramentos da narrativa conduzem o leitor a compreender o(a):

a) percepção das cores como metáfora da discriminação racial.

b) privação da visão como elemento definidor das relações humanas.

c) contraste entre as representações do amor de diferentes gerações.

d) prevalência das diferenças sociais sobre a liberdade das relações afetivas.

e) embate entre a ingenuidade juvenil e a manutenção de tradições familiares.

Resposta: letra a.

Texto narrativo no vestibular

Embora não apareça como tema da redação nos vestibulares, a narrativa já fez parte de muitos processos seletivos em instituições públicas e privadas. Porém, hoje em dia, a preferência é pelos textos dissertativo-argumentativos.

Arrase no caderno de Humanas!

Como você notou, narrativas são oportunidades de refletir sobre a nossa própria realidade por meio de textos ficcionais. Podemos ter prazer na leitura, escapar do nosso cotidiano e até buscar aprendizagens.

Continue focado na sua preparação e saiba que é possível passar no Enem estudando em casa. Faça redações periodicamente e simulados com o Trilha do Enem! Por falar nisso, dá só uma olhadinha neste aulão de Português do Prof. Noslen — no minuto 44:23 ele fala sobre gêneros textuais e texto narrativo:

Pronto! Agora que você revisou este conteúdo, que tal conferir como é a prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias?

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