Entenda o que é a variação linguística e como usá-la

estudantes conversando sobre variação linguística

Responda rápido: o que você pensa sobre construções como “nóis vai” e “vamo merendá”? Ou, ainda, qual você acha mais adequado: o “moleque” paulista ou o “guri” gaúcho? A verdade é que não existe certo ou errado, mas sim variedades linguísticas dentro de um mesmo idioma — no caso do Brasil, a Língua Portuguesa.

A variação linguística existe em todas as nações do mundo, já que não existe língua estática: as línguas são atualizadas a cada produção de fala dos indivíduos. Por isso, podemos ver os reflexos de diferenças regionais, sociais, históricas e situacionais. Para que você entenda melhor essa questão e se dê bem na prova de português, preparamos este post! Ao final da leitura, você saberá:

  • O que é variação linguística?
  • Qual é a importância desse conceito?
  • Quais são os principais tipos de variação linguística?
  • Como fica a questão da variação linguística no Enem?

Continue conosco e desvende esse assunto!

O que é variação linguística?

A variação linguística é uma característica inerente a todas as línguas naturais. Ela representa reflexos das diferenças socioculturais e contextuais durante a produção de fala por parte de um indivíduo, que vem carregada de influências da comunidade linguística em que ele está inserido e de suas intenções pessoais.

Na escola, aprendemos a Norma Culta da Língua Portuguesa, portanto, é normal pensar que quaisquer produções linguísticas que fogem à norma são incorretas ou inválidas. No entanto, não é assim do ponto de vista da Linguística: tanto o analfabeto do interior, como o jornalista letrado são igualmente fluentes em sua língua.

Afinal, ambos conseguem se expressar e ser compreendidos, concorda? Quando o analfabeto diz “é trêis hora” e o jornalista diz “são três horas”, eles estão apenas organizando sua estrutura linguística com base em suas referências sociais, um dos tipos de variação linguística.

Já quando, independentemente de nossa escolaridade ou da região em que moramos, dizemos “nóis vai lá”, em vez de “nós vamos lá”, estamos diante de uma variação linguística situacional: dificilmente os pronomes vêm sempre acompanhados das conjugações verbais regulares na linguagem coloquial.

Qual é a importância desse conceito?

O conceito de variação linguística está intimamente relacionado ao preconceito linguístico. Quando tomamos a Norma Culta como única correta e válida no território nacional, ficamos sujeitos a ver com maus olhos qualquer outro tipo de construção linguística que não seja a padrão.

No entanto, isso faz parte do senso comum e vai contra o estatuto científico: os linguistas são unânimes em afirmar que as línguas são sistemas heterogêneos, complexos e que se adaptam às necessidades do falante. As regras descritas em gramáticas e dicionários são apenas uma das formas de representação da Língua Portuguesa e, normalmente, mais adequadas para as produções escritas formais.

Afinal, a escrita serve como um instrumento de limitação das possibilidades de enunciação, como um “freio” para a variação, o que é útil para que todos mantenham o entendimento mútuo. Mas basta pensar em línguas que são exclusivamente orais, como alguns dialetos indígenas, para confrontar a ideia de que são as regras da escrita que fazem uma língua.

Quais são os principais tipos de variação linguística?

Em primeiro lugar, o Brasil é um país multilíngue: centenas de idiomas indígenas convivem no território nacional. Portanto, já há uma grande diferença entre a Língua Portuguesa de Portugal e a do Brasil: embora sejam consideradas a mesma língua, nosso léxico é repleto de vocábulos de origem indígena e africana, por exemplo.

Esse é apenas um exemplo de como uma língua se modifica de acordo com influências socioculturais e situacionais. Essa influência pode ser consciente do falante, como quando escolhemos falar gírias com nossos amigos ou seguir ao máximo a norma-padrão do Português na redação do Enem.

No entanto, também pode ser inconsciente. E, mesmo quando não é fruto de uma decisão explícita do falante, a variação linguística é sistemática: por isso, reconhecemos imediatamente o falar caipira, as expressões típicas da periferia, o “mineirês” ou o “gauchês”.

Todos esses grupos, em suas variantes sociais, geográficas ou histórias, seguem uma motivação ordenada em suas construções. Veja quais são as principais formas de variação linguística e anote aí nos seus resumos para o Enem!

Variação geográfica (diatópica)

Trata-se da variação linguística relacionada à localização geográfica: diferentes cidades, estados ou regiões podem ter particularidades que vão desde o sotaque e o léxico às construções sintáticas. Quando essas diferenças são muito acentuadas entre as comunidades linguísticas, e seus falares são chamados de dialetos.

Variação social (diastrática)

A variação social tem a ver com os grupos sociais de falantes, como classes socioeconômicas, gênero, escolaridade e até comunidades profissionais. Por exemplo, o “juridiquês” nada mais é do que uma forma técnica muito particular do Direito de expressar enunciados. Ainda, há o falar específico de grupos identitários, como rappers, drag queens, surfistas, etc.

Variação situacional (diafásica)

A variação linguística situacional se relaciona ao contexto de comunicação. Em geral, ela tem a ver com os chamados registros formais e informais: há situações em que utilizamos construções mais próximas do padrão, enquanto, em outras, a despeito do nosso conhecimento sobre as regras da norma culta, preferimos usar gírias, construções mais dinâmicas e expressões coloquiais.

Variação histórica (diacrônica)

Já a variação histórica é a que se relaciona com os processos de mudança da língua que ocorrem ao longo do tempo. Por exemplo, o “vosmecê”, que caiu em desuso, dando lugar ao “você” ou ao “”. Esse tipo de variação pode ser percebida na comparação entre textos de diferentes épocas e, em alguns casos, entre a fala de pessoas mais jovens e mais velhas.

Como fica a questão da variação linguística no Enem?

A variação linguística no vestibular e no Enem pode aparecer de diferentes formas, como questões diretas na prova objetiva de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, ou na proposta de redação. Ainda, mesmo que esse tópico não seja cobrado diretamente, é importante conhecê-lo para fugir do senso comum e evitar o preconceito.

Indiretamente, as variantes histórica, social, geográfica ou situacional também podem ser cobradas por meio de gêneros textuais e análise de excertos literários. Aliás, para ficar craque nesses e em outros tópicos do Português, a dica é se cadastrar gratuitamente no Trilha do Enem e aproveitar as videoaulas e os exercícios da plataforma.

Portanto, estudar variação linguística para o Enem é necessário, além de ser um assunto importante para a nossa formação como cidadãos. Porém, lembre-se de que os vestibulares e o Enem exigem o Português padrão na redação, ok? Afinal, uma das competências cobradas do candidato é o domínio da norma culta.

Aprofunde seus conhecimentos e saiba, também, como evitar o preconceito linguístico na redação!

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 5 / 5. Número de votos: 4

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Lamentamos que este post não tenha sido útil para você!

Vamos melhorar este post!

Diga-nos, como podemos melhorar este post?

Dê mais um passo na direção do Vestibular dos seus sonhos !

Assine nossa Newsletter e receba nossos artigos em primeira mão!

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Instituições Participantes do Vestibulares

O Vestibulares traz informações sobre os processos seletivos de sete instituições pelo Brasil: