Uso do porquê: saiba como aplicar suas regras de uso

estudante escrevendo sobre as regras dos porquês

Apesar de não haver dados sobre quais são os erros gramaticais mais comuns, não é exagero supor que o uso dos porquês esteja entre eles. A aplicação dessas palavras deixa margem para muitos equívocos, principalmente pelo número de possibilidades.

Na Língua Portuguesa, temos 4 grafias diferentes do porquê, e cada uma obedece a uma regra diferente. E se você acredita que os usa bem intuitivamente, saiba que, embora escrita e leitura sejam exercícios importantes para fixar conteúdos como esse, você não vai aprender como usar os porquês sem estudar um pouco de Gramática.

O objetivo deste artigo é justamente este: deixar você a par dessas regras, de modo que pare de errar no uso dos porquês conciliando teoria e prática. Leia até o fim e livre-se de um dos erros mais comuns nas provas do Enem.

Como os porquês normalmente são usados?

A exemplo do que acontece com a vírgula, não é apenas a dificuldade de aplicação que complica o aprendizado e o uso dos porquês. Há também algumas más interpretações da regra que induzem até os mais estudiosos ao erro.

Por exemplo, é comum escutarmos falar que o porquê separado (por que) serve para fazer perguntas, e o porquê junto (por que), para respondê-las. Mas esse “macete” cai logo por terra quando nos deparamos com frases do tipo:

Joana quis saber por que Otávio não foi à reunião de segunda-feira.

O exemplo acima não é de uma pergunta e, ainda assim, o correto é usar o porquê separado (por que). Para demonstrar melhor que essa regra não serve a todos os casos, podemos inverter as coisas e usar o porquê junto (porque) em uma pergunta:

Concorda que é porque você estudou que a prova pareceu fácil?

Além de gerar confusão na cabeça dos estudantes, esse atalho não explica o uso das duas outras variantes: o porquê separado e o porquê junto, ambos com acento circunflexo (por quê e porquê). Ou seja, não dá para encurtar a compreensão de certos assuntos, é preciso estudar Gramática para saber.

Então, abaixo, vamos esmiuçar as classes gramaticais de cada um dos porquês e, com base nessas classes, explicar a função de cada um e as regras de uso.

Quando é usado em interrogativas: por que

O porquê separado (por que) é um advérbio interrogativo. Se você está atento aos conceitos gramaticais, sabe que advérbios modificam o verbo, outro advérbio ou um adjetivo.

Então, independentemente de estar em uma pergunta ou não, o porquê separado (por que) está relacionado ao verbo de uma oração. No nosso exemplo, Joana quis saber por que Otávio não foi à reunião: ele está atrelado ao verbo mesmo que eles estejam separados por muitas outras palavras.

O melhor jeito de saber se o porquê é separado (por que) é tentar colocar as palavras “razão” ou “motivo” entre ele e esse verbo:

Joana quis saber por que razão Otávio não foi à reunião.

Joana quis saber por que motivo Otávio não foi à reunião.

Se essas palavras encaixam-se perfeitamente, como nesse exemplo, significa que a grafia do porquê é separada (por que). Você vai perceber que há inúmeras frases não interrogativas que funcionam dessa forma.

Quando é usado em frases explicativas: porque

O porquê junto (porque) é uma conjunção explicativa, ou seja, uma expressão utilizada para explicar alguma coisa. Repare que, mesmo na frase do nosso exemplo mais acima, que é uma pergunta, ele foi usado com essa função.

O que se quer saber é se o interlocutor concorda com a explicação de que o motivo de ele ter achado a prova fácil foi o fato de estudar. Digamos que, se o porquê separado (por que) pede uma explicação, é o porquê junto (porque) que a concede.

Quando é substantivo: porquê

Talvez a forma mais fácil de identificar e de utilizar, o porquê junto e com acento circunflexo é um substantivo. E uma característica dos substantivos é que eles podem ser precedidos por artigos definidos ou indefinidos. Veja os exemplos:

Mauro não conseguiu descobrir o porquê das acusações que sofreu.

Quando alguma tragédia acontece, todos tentar encontrar um porquê.

Segundo os manuais de Engenharia, as falhas técnicas podem ter muitos porquês.

Repare que, no terceiro exemplo, o artigo não aparece, mas o porquê aparece no plural, que é outra característica dos substantivos: variar em número. Inclusive, dê uma conferida neste artigo mesmo que está lendo e veja como usamos bastante este tipo.

Quando está no fim da oração: por quê

Lembra quando explicamos o uso do porquê separado e sem acento (por que)? Pois a versão separada com acento circunflexo (por quê) aplica-se aos mesmos casos, com a única diferença de que ela está antes do final da frase ou de uma pausa qualquer:

Não me pergunte por quê, mas vê-la me deixa muito feliz.

Nem todos sabem por quê: a vida deixa muitas coisas sem explicação.

Algumas coisas vêm acontecendo com o planeta, e apenas os especialistas sabem por quê.

Ou seja, se a expressão pode ser seguida das palavras “motivo” ou “razão”, ela deve ser escrita com os termos separados (por que). E se está antes da vírgula, de dois-pontos ou do ponto-final, deve levar o acento circunflexo (por quê).

Por que dominar o uso dos porquês?

A Gramática é considerada um bicho de sete cabeças por muitos estudantes, mas não precisa ser assim. Se estiver atento a algumas regras básicas, você estará mais próximo não apenas de uma aprovação no Enem, mas também de uma característica que ajuda na qualificação profissional.

Afinal, não são poucas as pessoas que chegam ao mercado de trabalho cometendo alguns erros básicos de Português, como o uso dos porquês, o que prejudica sua comunicação no trabalho e passa uma má impressão sobre as suas qualidades intelectuais.

Esteja atento ao uso dos porquês e comece já a fazer diferente no vestibular e no trabalho, melhorando a escrita! Para isso, conte com o site Trilha do Enem. Ele contém videoaulas e simulados das diferentes disciplinas cobradas no Exame, incluindo, é claro, essas dificuldades com o Português. E compartilhe também esse conhecimento com seus colegas, porque se trata de uma ótima maneira de fixar o conteúdo aprendido.

Se quiser mais detalhes gramaticais, regras e dicas de uso dos porquês e da vírgula para corrigir erros comuns, não deixe de ler o nosso guia completo para montar um plano de estudos para o Enem!

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4.4 / 5. Número de votos: 7

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Lamentamos que este post não tenha sido útil para você!

Vamos melhorar este post!

Diga-nos, como podemos melhorar este post?

Dê mais um passo na direção do Vestibular dos seus sonhos !

Assine nossa Newsletter e receba nossos artigos em primeira mão!

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Instituições Participantes do Vestibulares

O Vestibulares traz informações sobre os processos seletivos de sete instituições pelo Brasil: