Conheça os 7 livros que são cobrados no vestibular

livros para vestibular

Se você está se preparando para tentar uma vaga no curso superior, deve saber que uma parte fundamental da prova se refere à leitura de obras indicadas pela banca organizadora do vestibular. Isso varia de instituição para instituição e, em uma mesma faculdade, pode mudar de um ano para o outro.

No entanto, os livros para vestibular mantêm uma característica em comum: costumam ser obras clássicas, representantes de uma escola literária ou de um período específico da Literatura. Além disso, são livros recomendados pela crítica, que constituem o cânone nacional.

Mas e o que cai no Enem? O Exame Nacional do Ensino Médio não indica uma leitura obrigatória, mas questões contextualizadas sobre as principais obras estão sempre presentes no caderno de Linguagens.

Neste post, separamos os principais livros que sempre são abordados nas provas de vestibulares e do Enem. Descubra agora quais são e comece já a sua leitura!

A revolução dos bichos, de George Orwell

Clássico da literatura mundial, essa obra do inglês George Orwell foi publicada em 1945 — não é coincidência que a Segunda Guerra Mundial tenha terminado nessa data. A narrativa distópica (isto é, que se passa em um lugar imaginário, a fazenda do Sr. Jones) tem como personagens principais os porcos Snowball, Napoleão e Major.

Na revolução citada no título da obra, os porcos pretendem tomar a fazenda do proprietário e estabelecer uma sociedade mais igualitária, mas o que se vê é a instituição de uma ditadura.

Não se engane ao ler Animal farm: não é um livro infantil, mas, de acordo com algumas opiniões, uma grande crítica à sociedade soviética originada depois da Revolução Russa, mais precisamente ao Totalitarismo.

O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro

O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil é uma obra que não se encaixa nos gêneros literários mais cobrados no vestibular. O autor é o maior antropólogo do país e seu objetivo, nesse livro, é compreender como e por que o Brasil se tornou tão desigual.

Publicado em 1995, O povo brasileiro busca tratar de temas como formação étnica e cultural, tratando a miscigenação, desde a chegada dos portugueses ao território, em 1500, como fator de deslegitimação das culturas africanas e indígenas pela população europeia.

Trechos como o que segue podem ser retomados em provas de Ciências Humanas e até na de redação. Por isso, sua leitura é fundamental para qualquer vestibulando que queira entender as raízes da cultura brasileira. Veja:

Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos (p.120).

O cortiço, de Aluísio Azevedo

Enquanto o Brasil se despedia do Romantismo e de sua idealização, lá no século XVIII, ganhava força um movimento que contrapunha esses ideais: o Realismo. Com a publicação de O cortiço em 1890, Aluísio Azevedo retratava uma habitação popular na cidade do Rio de Janeiro, então capital nacional no Segundo Império.

O autor mostra a disputa social entre a decadente nobreza, a ascensão da burguesia e a grande massa de trabalhadores que habita o cortiço: pobres negros, mulatos e imigrantes em sua maioria.

O cortiço ganha vida na obra, quase como se fosse uma personagem. As emoções e os sentimentos são trazidos à luz com detalhes, compondo, ao fim, uma grave crítica social.

Leia o trecho que abre o capítulo III da obra:

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.

Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Não só essa, como várias obras de Machado de Assis são relevantes para a literatura mundial. Podemos destacar Dom Casmurro e Helena, além de contos clássicos, como A missa do galo e A cartomante. Machado ainda escreveu poesias e crônicas, e é um dos autores que mais caem no Enem e nos vestibulares de todos os tempos!

Memórias póstumas, como o nome já indica, relata a vida de Brás Cubas. Ele é o protagonista e narrador, porém, ele é um autor-defunto (ou um defunto-autor).

O livro foi publicado em 1881 (tendo sido, no ano anterior, lançado semanalmente em jornais, como era costume à época) e trata de temas como escravidão e positivismo. É, sem dúvida, leitura ainda atual pela forma inovadora como Machado a escreveu.

O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna

Esse é uma espécie de livro em que existe um tom religioso bem-marcado. O auto é um tipo de texto que se caracteriza por ser uma peça curta, às vezes com tom moralizante, como eram os autos do português Gil Vicente.

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Porém, Ariano Suassuna revisita essa religiosidade à luz do cenário nordestino e tece críticas à ganância burguesa e à hipocrisia das autoridades religiosas, criando uma sátira que tem como referências contos de cordel.

A “Compadecida”, no caso, é Nossa Senhora, a quem o malandro João Grilo apela na hora do julgamento final. A compaixão é a única coisa que pode salvar os pobres. Leia o apelo de João:

Valha-me, Nossa Senhora, Mãe de deus de Nazaré! A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer. A mansa dá sossegada, a braba levanta o pé. Já fui barco, fui navio, agora sou escaler. Já fui menino, fui homem, só me falta ser mulher. Valha-me, Nossa Senhora, Mãe de deus de Nazaré!

O livro foi adaptado para o cinema em 2000 e tem Fernanda Montenegro no papel da mãe de Jesus. Vale a pena conferir também!

Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa

Outra leitura que não pode faltar ao vestibulando, pois sempre está nas questões de Literatura no Enem, é a obra-prima do romance regional que ultrapassou os limites da Língua Portuguesa. Grande sertão: veredas conta a história de Riobaldo e Diadorim, mas não de forma tradicional. Rosa faz uso de experimentos linguísticos e sintaxe própria para criar a narrativa.

Veja um trecho e comprove por si só esse marco do Modernismo:

Compadre meu Quelémem sempre diz que eu posso aquietar meu temer de consciência, que sendo bem-assistido, terríveis bons espíritos me protegem. Ipe! Com gosto… Como é de são efeito, ajudo com meu querer acreditar. Mas nem sepre posso. O senho saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou eu mesmo. Divêrjo de todo mundo… Eu quase que não sei. Mas desconfio de muita coisa.

Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus

Entre os livros de vestibular mais atuais, mas que tratam de temas que não podem ser esquecidos, está Quarto de despejo, um diário de uma favelada escrito na década de 1950. Temas como o racismo, a desigualdade social e tantos outros problemas comuns hoje no Brasil foram tratados do ponto de vista de Carolina, mulher negra, catadora de papel e semianalfabeta.

O livro já foi traduzido em mais de 13 idiomas e é imperdível!

2 de maio de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos que pretendia fazer o meu diário. Mas eu pensava que não tinha valor e achei que era perder tempo.

… Eu fiz uma reforma em mim. Quero tratar as pessoas que conheço com mais atenção. Quero enviar um sorriso amável às crianças e aos operários.

Dica extra

Se você está pensando que é caro comprar todos estes livros (e outros) para ler para o vestibular, temos uma ótima notícia! A grande maioria está disponível no Portal Domínio Público, uma biblioteca virtual organizada pelo Governo para oferecer a oportunidade de leitura gratuita a todos os estudantes.

Na internet, você também encontra aplicativos para vestibular que podem indicar resumos e análises das principais obras dos vestibulares.

Muitos escritores brilhantes ficaram de fora desta lista: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Erico Verissimo, Rubem Fonseca e tantos outros… Não deixe de procurar por eles, certo?

Continue sua leitura!

Então, está esperando o que para viver viagens maravilhosas através da literatura? Inclua um tempo de leitura diária em seu plano de estudos, porque os livros do Enem e dos vestibulares, sendo ou não obrigatórios, vão agregar conhecimento e aumentar sua bagagem cultural para argumentar com mais segurança em vários temas!

Então, continue seus estudos e baixe gratuitamente o guia completo para arrasar na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias!

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